Header Ads

Main

Greve da Suframa: 'Tem gente sem dinheiro pra comer', diz caminhoneiro



Texto de Iryá Rodrigues para o G1 Acre 


 Parados na capital, caminhoneiros dizem que a situação é de 'calamidade'.Funcionários da Suframa estão em greve desde o dia 21 de maio.

 Há vários dias, ao menos 200 caminhões estão estacionados ao longo da BR-364, na entrada de Rio Branco, à espera de liberação de suas mercadorias por parte da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em greve desde o dia 21 de maio. Segundo os caminhoneiros, o prejuízo por cada dia parado chega a mais de R$ 1 mil.

 Caminhoneiro há 30 anos, Silésio Ludwig, de 54 anos, é do Sul e está no Acre desde segunda-feira (15) e relata a situação dos caminhoneiros. Segundo Ludwig, eles estão tendo gastos com alimentação, estacionamento do veículo e uso do banheiro. Ele critica a greve e diz que as dificuldades sempre existiram.

 "O sofrimento só mudou de lugar, na época que se andava na estrada de chão, era complicado demais, depois vieram as dificuldades com as últimas enchentes e agora estamos mais uma vez empatados de fazer nosso trabalho. Com certeza, muita gente não vai mais querer vir para o Acre, por conta de todo esse sofrimento", relata.

 Ludwig conta que a situação é de calamidade. "Como é que vamos fazer para pagar todos esses gastos? Tem gente que come, porque estamos dividindo a comida. A empresa que vai receber a mercadoria não tem nada a ver com isso, a empresa que mandou o produto não tem nada a ver com isso e é o caminhoneiro que acaba sofrendo com essas consequências todas", diz.

 Indignado com a situação, o caminhoneiro acrescenta ainda que são eles que trazem para o estado todas as mercadorias necessárias, como roupa, calçado, comida, remédio, ferro e asfalto, e acabam tendo que "pagar" para entregar a mercadoria para o povo acreano.

 "Queremos descarregar para ir embora. É o que todo caminhoneiro almeja, chegar no destino, descarregar a mercadoria e seguir para o próximo lugar", afirma Ludwig.


 De acordo com Jacinto Beluc, caminhoneiro há 20 anos, a previsão para que a sua mercadoria seja liberada pela Suframa é de mais de 20 dias, caso o órgão continue liberando 15 caminhões por dia. Ele conta que não recebe pagamento por diária, com isso, acaba saindo no prejuízo, por conta dos dias que vai ficar parado.

 "Se não rodar e descarregar, não tenho salário, porque eu dependo de comissão. Não sei nem o que fazer, liguei para a fábrica de onde eu trouxe a mercadoria para ver que providências eles vão tomar, porque não tenho como arcar sozinho com esses custos. Por enquanto, estou gastando cerca de R$ 100 por dia. Uma viagem era que para durar 14 dias, vai levar pelo menos 30 dias", conta Beluc.

 Nesta quinta-feira (17), a greve da Suframa no Acre completa 28 dias. Na quarta-feira, um novo tumulto ocorreu na sede em Rio Branco. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Funcionários da Suframa (Sindframa), Renato Santos, nesta quarta, a categoria resolveu ampliar para 50% o serviço prestado.

 "Estávamos fazendo uma média de 5 a 7 carretas por dia, fora as prioridades. Agora, vamos passar para 10 carretas e prioridades, que seria mais ou menos 50%, podendo chegar a 15", diz.

Greve da Suframa

 Desde o dia 21 de maio deste ano, os servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) estão em greve. De acordo com o vice-presidente do Sindframa, Renato Santos, a greve deve seguir por tempo indeterminado, até que seja derrubado o veto a um artigo da Medida Provisória 660, referente ao Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores.

 Na segunda-feira (15), os servidores do órgão se reuniram com empresários para apresentar as reivindicações e pedir apoio do setor. A intenção é que os empresários solicitem aos deputados federais e senadores o apoio para a derrubada do veto. Ao menos 20 empresários participaram da reunião como Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomercio-AC), e Associação Comercial do Acre (Acisa).
Tecnologia do Blogger.