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Especial Scania V8 - Parte I: O V8 de 1916 e 1969



 Carregados de potência e torque, caminhões V8 da Scania são um sonho de consumo dos caminhoneiros no Brasil e no mundo.

Texto de Érico Pimenta. Editor-Chefe do Midia Truck Brasil.

 V8. Um ícone presente em vários carros e caminhões. Essa sigla representa potência e prestigio, marca registrada dos caminhões Scania.

 Atualmente, os modelos da Scania equipados com os motores V8 são verdadeiros diamantes sobre rodas, com acabamento do mais simples ao mais luxuoso, dependendo principalmente do gosto do cliente. Esses modelos são cobiçados por todo fã de Scania, e até mesmo os fãs de outras montadoras admiram e reconhecem os feitos dos modelos V8 da Scania.



 Mas para os motores V8 da Scania chegarem ao seu estágio atual, ocorreu uma longa jornada que iniciou em 1916 - sim, você não leu errado, e explicaremos em detalhes o porquê desta data.

1916 - O Primeiro V8, para trens e barcos.

 A Scania iniciou suas atividadesconstruindo vagões ferroviários, bondes e também motores para aplicações diversas: barcos, por exemplo. Com uma visão além do seu tempo, a então Scania-Vabis desenvolveu um motor potente, que poderia ser abastecido tanto com álcool ou gasolina. Surge, então, o primeiro motor V8.

 Esse motor foi projetado e produzido em 1916 e ficou no mercado até 1919. O motor gerava 140cv quando abastecido com álcool e 115cv quando abastecido com gasolina. Com 15,7 litros, o motor pesava incríveis 1.300kg.

 Infelizmente, não existem muitas informações sobre esse motor, apenas algumas informações no próprio site da Scania e no Museu da Scania, situado na sua matriz em Södertälje, na Suécia.


Motor V8 de 1916. Foto tirada do motor no Museu da Scania. 



1969 – Nasce o King Of The Road.


 Para falamos do primeiro motor V8 para caminhões, devemos citar um nome: Sverker Sjöström.


 Sverker Sjöström assumiu o cargo de especialista em resistência de materiais em 1947 e foi chefe técnico entre 1961-1983. Nos anos 50, a Scania-Vabis passava por um grave problema, quando voltou seus olhos para o então jovem Sverker. Naquela época os matérias e componentes da Scania-Vabis estavam deixando a desejar e sendo recusados por importantes mercados.A empresa viu-se forçada a parar todo o desenvolvimento para solucionar o problema. Sverker começou a analisar cada componente do caminhão, de forma criteriosa, e notou que as dimensões estavam erradas, o que causava quebras constantes das peças.Para resolver isso ele implementou uma série de avaliações de esforços em diferentes partes dos veículos. Depois de experiências de percurso nas pistas de testes e nas estradas, analisou os resultados e os relacionou com dados de materiais na área de fadiga. Em 1961, suas conclusões foram apresentadas em uma tese de doutorado intitulada “On random load analysis” (Dentro da análise da carga aleatória).











 Graças ao perseverante trabalho de pesquisa de Sverker é que a Scania-Vabis pôde ter uma noção sistematizada sobre a fadiga em diferentes tipos de componentes dos seus veículos. Esse conhecimento era importante à medida que novos componentes iam sendo desenvolvidos para necessidades específicas do mercado.

 Em 1960, Sverker assumiu a liderança de novos produtos, que, por meio dos resultados de seus estudos, vieram a ser produtos mais resistentes. Em 1960, a Scania-Vabis introduziu um motor à diesel sobrecarregado que desenvolvia 205 cavalos de potência. Nessa época, o programa unitário de motor foi abandonado. Os motores de 4 e 8 cilindros em linha foram substituídos pelos motores de 6 cilindros em linha com diferentes comprimentos e volumes. A Scania-Vabis, como a Volvo, tinham inicialmente dimensionado seus motores para a sobrecarga. Os motores podiam ser submetidos a altas pressões e variadas temperaturas. O carregamento com turbo não era uma novidade, porém, a resistência e a segurança de funcionamento eram. Quando a resistência inicial dos clientes diminuiu, os fabricantes suecos de caminhões deram um passo à frente em relação aos seus concorrentes do exterior.

 O desenvolvimento de um motor V8 sobrecarregado foi iniciado pelos técnicos, sem nenhuma pressão de mercado ou apoio da liderança empresarial. Os especialistas desenvolveram um tipo de motor compacto, forte, potente e de baixa rotação. Eles estavam convencidos de que a alta potência combinada com a baixa rotação, daria mais economia, um ciclo de vida maior e menos ruído. Além disso, a filosofia de baixa rotação reduziria a atividade decâmbio ao mínimo. O resultado teve muito êxito e o motor foi introduzido no mercado sem nenhum problema de qualidade.

 Em 1969, com 14,2 litros e 350 cavalos, equipando o LB140, nascia o King of The Road. O motor foi um sucesso imediato, pois as exigências do mercado estavam em constante mudança, e o motor V8 se enquadrava perfeitamente nas novas exigências. Por exemplo: Na Autobahn alemã, as exigências de capacidade de aceleração e de velocidade eram cada vez maiores. Em 1972, a Alemanha notificou que iria introduzir uma exigência mínima de 8 cv de potência por tonelada de peso bruto. Isso significa que uma carreta com 38 toneladas de peso bruto, necessita de um motor com uma potência mínima de 304 cv,ou seja, um limite superior ao que os transportadores internacionais possuíam em seus caminhões. Com isso a Scania-Vabis começou a vender seus modelos com maior aceitação na Alemanha e na França. Ao contrario que muitos pensam e falam, o V8 não era um beberão, pelo contrário, ele era econômico e gerava torque em baixas rotações, o que fez dele um excelente motor para equipar caminhões usados em longas viagens. Como os Scanias equipados com Motor V8 haviam se tornando o favorito para essas viagens, surge então o apelido de “King of The Road”.

 A Carreira de Sverker Sjöström





 Sjöström nasceu em 1920 na cidade de Robertsfors, Suécia. Em 1986 ele recebeu a nomeação de um doutorado honorário na Universidade Técnica de Lulea. Foi vencedor do Prêmio KTH em 1987. Em 1990 recebeu o Prêmio Mekanprisma e o Saab-Scania Prize em 1991. Em 2003 recebeu uma Medalha de Ouro da Royal Swedish Academy of Sciences pelo seu trabalho desenvolvido para a Scania.

Infelizmente, em 2005 Sverker Sjöström faleceu aos 83 anos.


 Na Parte II, vamos contar sobre o primeiro caminhão bicudo a receber o motor V8.

 Essa reportagem foi publicada na edição de Outubro da Revista Midia Truck Brasil WORLD que pode ser vista aqui:  https://goo.gl/HiyHap



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