29 de dez de 2016

É verdade que o sistema AEB da Scania impediu mais mortes no ataque em Berlim?


Ataque aconteceu em Berlim, Alemanha, deixou 12 pessoas mortas e várias outras feridas. 

Texto de Érico Pimenta. Editor-Chefe do Midia Truck Brasil.

 Neste mês de dezembro, um caminhão Scania R450 4x2 da empresa Usługi Transportowe ARIEL Żurawski originaria da Polônia foi roubado é usado em um ataque terrorista na Praça Breitscheid em Berlim, Alemanha. As autoridades que estão investigando o ataque estão dizendo que a tecnologia anti colisão do caminhão ajudou a reduzir o número de vítimas, ou seja, o sistema travou o caminhão fazendo assim sessar o ataque.

 Mas afinal, isso é verdade? Vários sites no Brasil vem publicando essa notícia, porém ao estudar como funciona o sistema AEB, podemos notar que talvez não tenha sido bem assim.


               (Vídeo do sistema em funcionamento em várias ocasiões diferentes.)

O que é o AEB?

 O sistema AEB (sigla em inglês Advanced Emergency Braking) utiliza tecnologia de radar de longa distância e uma câmera voltada para a estrada, essa câmera fica dentro do caminhão acima do painel no vidro e tem a funcionalidade de alertar os condutores para possíveis perigos de colisão.  

  As informações desses dispositivos (radar e câmera) são retransmitidas para uma unidade de processamento central (CPU), Ali é analisado, juntamente com dados de fontes como o sistema de controle do motor e velocímetro, além de outros dados do caminhão, como por exemplo a atividade do limpador do para-brisa.   

 Com as informações, o sistema e capaz de distinguir entre os obstáculos fixos e móveis no percurso do caminhão. O sistema e projetado para evitar a produção de alarmes falsos, pois estes podem frustrar os motoristas e levar a frenagem desnecessária, algo que poderia provocar um acidente.  


Como ele funciona?

 O AEB da Scania utiliza tecnologia de radar multi-antena montada na frente, o radar não possui peças moveis para mentir a distância e a velocidade relativa de qualquer obstáculo. Enquanto isso, uma câmera montada atrás do para-brisas determina quão grande é cada obstáculo, sua posição lateral e a sua natureza.

 Em situações em que a velocidade do caminhão ultrapassa os 14 km/h e uma obstrução é percebida em seu caminho, o sistema avalia se o motorista está no controle. O sistema faz isso examinando se o freio ou acelerador está em uso. Uma situação típica e que isso pode acontecer e quando um caminhão se aproxima de um carro que está iniciando uma conversão a direita, logo antes de uma saída da autoestrada.

Veja um gráfico mostrando o funcionamento do radar e da câmera. (Fonte: SCANIA AB)




 Se o sistema detecta um obstáculo no caminho do caminhão e detectar que o motorista não está exercendo uma reação, o sistema entra na fase 1, no qual ativa um sinal sonoro de aviso de colisão e envia uma mensagem no computador de bordo informando o condutor do alto risco de colisao. Adicionalmente é entrado na fase 2, no qual é ativado um sistema especial de assistência ao sistema de freio que aumenta a sensibilidade do pedal do freio, ajudando potencialmente o condutor a evitar uma colisão.

 Se, seguindo estes avisos e ainda não houver nenhum sinal que o condutor tenha reagido a situação, o sistema entra em uma nova fase de alerta. Ele envia um sinal ainda mais claro para o motorista, aplicando o freio de serviço e acionando as luzes de freio. Esta ação utiliza apenas uma parte da capacidade de travagem total do caminhão e a sua principal finalidade é atrair a atenção do motorista. O sistema empreende essa ação quando a distância até o obstáculo tiver sido reduzida pela metade, deste o aviso de colisão original.

 Mas se ainda não houver nenhuma reação do motorista, entramos na última fase do sistema. O AEB julga que ao ultrapassar um limiar relativo à velocidade relativa e a distância até o obstáculo, ele começa a travagem de emergência. Embora uma colisão pode ser inevitável, o sistema continua a abrandar o caminhão para aliviar a força do impacto. Isso também reduz o risco de o caminhão empurrar o obstáculo para o próximo veículo, ou seja, o famoso engavetamento.  

  Mas vale lembrar que a capacidade de desaceleração vai depender de fatores como as condições da superfície da estrada e o desgastes dos pneus do caminhão.

O sistema pode ser desligado.


 Ainda segundo a própria Scania, o sistema pode ser sim desligado, já que a mesma acredita que o motorista que pode fazer os melhores julgamentos sobre cada situação. O desligamento do sistema pode ser parcial ou total, isso pode ser feito atrás de um interruptor dedicado no painel de instrumentos. Ao fazer isso, um símbolo amarelo AEB ficará acesso mostrando ao motorista que o sistema foi desligado. Cada vez que o caminhão e ligado o sistema liga automaticamente, porém, o responsável pelo ataque pode ter muito bem pedido que o motorista fizesse o desligamento do dispositivo. 







(Peça do radar fixada acima do para-choque do caminhão.)

O caminhão tinha o sistema.

 Como podemos notar na foto do caminhão, ele possuía sim o sistema, porém não se sabe se o mesmo estava desligado de forma parcial ou total, para sermos verdadeiros, ainda pouco se sabe como aconteceu o roubo e o sequestro do caminhão e do caminhoneiro Polonês Lukasz Robert Urban de 37 anos. Lukasz era primo do dono da transportadora e era casado e tinha um filho de 17 anos. O caminhão estava carregado com 25 toneladas de vigas de aço.


 Foto do caminhão do Lukasz. Os círculos vermelhos mostra a câmera no painel e o radar no para-choque. (Foto: Lukasz Robert. Via Facebook da Usługi Transportowe ARIEL Żurawski



 Porque muitos acham que o sistema não evitou mortes como as autoridades estão dizendo?

 Ao analisar o funcionamento do sistema, vemos que ele pode sim evitar colisões e a sua função principal é essa, mas ao olhar as fotos do trágico atentado, vemos que o caminhão possa ter parado por ter batido em uma casa/loja, no qual podemos notar o alto da cabine amassada.  Outros ainda se questiona se o sistema não poderia ter funcionado antes, já que um vídeo que apareceu nos noticiários mostra o caminhão adentrando na feira em alta velocidade, algo que o sistema ia notar.



 Como vemos na foto acima, esta é a casa/loja que o caminhão acertou antes de parar totalmente. Não queremos pôr em dúvida nem o sistema da Scania e nem mesmo as investigações da polícia sobre esse ato de crueldade, mas, por ser um caso onde o mundo busca respostas, jogar informações sem terem 100% de certeza pode fazer confusão e criar teorias desnecessárias. Se o AEB ajudou sim ou não, ainda não há uma certeza disso, mas se sim, devemos ficar aliviado em saber que uma tecnologia ajudou a amenizar de certa forma uma tragédia desse porte.