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Lideranças protestam contra ferrovia em territórios indígenas


Reportagem de Sílvia Mugnatto com Edição de Roberto Seabra.

(Agência Câmara Notícias) Pensada para ligar cidades do Mato Grosso e Pará, a Ferrogrão será usada para o escoamento da soja. Projeto foi tema de seminário na Comissão de Meio Ambiente

 Durante seminário realizado nesta última terça-feira (24) na Câmara dos Deputados para discutir a viabilidade da Ferrogrão - que deve ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e servirá para o escoamento de grãos - lideranças indígenas protestaram contra possíveis intervenções em seus territórios. Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, o evento debateu os “Dilemas e desafios para a sustentabilidade de uma grande obra de infraestrutura na Amazônia”.


 Lideranças indígenas presentes ao seminário disseram que querem ser ouvidas logo, até para poderem argumentar contra a obra. Alessandra Korape, do povo Mundaruku, disse que as construções que já existem na região estão alterando o ecossistema local. “Nós que temos que pescar, sair de madrugada, não pegamos nem dois peixes. Mas por que que tem só isso? Porque estão invadindo o rio Tapajós, está cheio de portos. Tem que passar dois ou três dias agora pescando para sustentar os nossos filhos”, disse Korape.

 Segundo as lideranças indígenas, 19 povos vivem na região da ferrovia e a obra vai ampliar o desmatamento porque será acompanhada de outras intervenções como estradas vicinais.



Viabilidade

 Representante do governo garantiu às lideranças indígenas presentes no seminário que elas serão ouvidas assim que houver certeza de que a obra tem viabilidade financeira. Tarcísio Freitas, da Presidência da República, disse que a Ferrogrão ainda não está definida, pois são necessários investidores privados que queiram colocar R$ 13 bilhões na obra.

 “O problema todo é o seguinte: A Ferrogrão não é uma realidade ainda. E nós não sabemos se será. E toda vez que a gente vai à comunidade para dizer 'vamos fazer isso, vamos fazer aquilo', nós vamos criar expectativas. Nós vamos gerar expectativas. E não é interessante gerar expectativas sem ao menos saber se a obra vai sair."

 O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) disse que é preciso evitar os erros da usina hidrelétrica de Belo Monte, construída em território paraense. “Altamira (no Pará) é a cidade mais violenta do mundo depois dos impactos gerados tragicamente, desastrosamente. 25 ações do Ministério Público para tentar o quê? Mediar aquilo que estava sendo contratado, as condicionantes que foram acertadas simplesmente não foram cumpridas”, observou Jordy.


Soja


 Leonardo Minaré, da Associação dos Produtores de Soja, defende a construção da Ferrogrão e a melhoria das condições de escoamento de mercadorias no país. Segundo Minaré, a soja representa 14% das exportações do Brasil. Mas, enquanto o produto aqui é enviado para a China a 104 dólares a tonelada; nos Estados Unidos, o custo é de 56 dólares.


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