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Mineradora Anglo prepara expansão para 2016








Companhia disse estar trabalhando para colocar à plena carga o Sistema Minas-Rio, com capacidade para fornecer 26,5 milhões de toneladas por ano 


Paulo Castellari, presidente da Unidade de Negócio Minério
de Ferro Brasil da Anglo American: "Acreditamos que
estamos bem posicionados"
 A multinacional Anglo American, uma das principais mineradoras do mundo, conta com as vantagens do baixo custo de produção de minério de ferro das reservas que passou a explorar na região de Conceição do Mato Dentro, na porção central de Minas Gerais, e com a alta qualidade da matéria-prima para enfrentar seus concorrentes num período de preços deprimidos e demanda mais fraca que o esperado no mercado internacional. A despeito das dificuldades encontradas pelo setor, a companhia anunciou nessa segunda-feira estar trabalhando para colocar à plena carga até meados de 2016 o Sistema Minas-Rio, com capacidade para fornecer 26,5 milhões de toneladas por ano.

 Em paralelo, já estuda a expansão do complexo, constituído de operações interligadas da mina ao terminal portuário no Rio de Janeiro, com o transporte por mineroduto, que corta 32 municípios mineiros e cariocas. O primeiro embarque, destinado à China, foi efetuado no último dia 25 e dois novos carregamentos serão realizados em dezembro. A produção deverá atingir a capacidade total instalada de 26,5 milhões de toneladas por ano em 18 a 20 meses, informou o presidente da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da Anglo American, Paulo Castellari.

 As dificuldades enfrentadas pelo setor vão persistir no ano que vem, avaliou o executivo, mas não o bastante para afetar o interesse da empresa no segmento de minério de ferro. “Teremos um período difícil pela frente e entrará mais produção barata do Brasil e da Austrália (grandes produtores mundiais) no mercado, mas acreditamos que estamos bem posicionados”, disse o executivo. As cotações da matéria-prima baixaram da trava de US$ 90, que os analistas consideravam o teto mínimo, tendo caído abaixo de US$ 80 neste ano.

 A companhia, no entanto, se beneficia da formação geológica rica em ferro das reservas mineiras, que se estendem por 12 quilômetros ao longo da Serra do Espinhaço, e da operação interligada da mina ao Porto do Açú, em São João da Barra (RJ). São condições que permitem à Anglo American produzir ao custo de US$ 33 a US$ 35 por tonelada seca entregue no terminal portuário, informou Paulo Castellari. A empresa tem participação de 50% do terminal em parceria com a empresa Prumo Logística.

Despesas

 O minério extraído na região de Conceição do Mato Dentro é do tipo premium e sai da etapa de beneficiamento com teor de ferro entre 67,5% e 68%. Segundo o presidente da unidade brasileira da companhia, o mais importante é manter baixas as despesas garantindo um patamar confortável de custos de produção durante a operação plena do empreendimento. “Estamos olhando as nossas estruturas de custos. Sabemos que outros produtores têm despesas muito mais altas e terão de se ajustar”, afirmou. Paulo Castellari acredita que depois da curva fortemente descendente dos preços no exterior desde o ano passado, eles tendem a voltar a retomar níveis acima de US$ 80.

 Cerca de seis anos depois do anúncio da compra do então projeto Minas-Rio das mãos da MMX, de Eike Batista, e de enfrentar questionamentos judiciais relativos ao licenciamento ambiental das obras, o que levou aos atrasos na implantação, a Anglo American informou ter concluído o plano inicial do empreendimento com todas as licenças expedidas para essa fase. Os desembolsos totalizam US$ 8,8 bilhões, sendo US$ 800 milhões relativos aos contingenciamentos que teve de bancar.

 Há pequenas obras de infraestrutura predial a serem finalizadas em Conceição do Mato Dentro e serviços referentes ao quebra-mar no porto. Segundo Paulo Castellari, a Anglo American está desenvolvendo estudos paralelos para levar a produção a 30 milhões de toneladas anuais, mas não considera realizar a expansão antes de 2018. O diretor de Operações do Sistema Minas Rio, Rodrigo Vilela, informou que a produção de 2015 está estimada entre 11 milhões e 14 milhões de toneladas.

Fornecedores

 Com um programa de apoio a fornecedores locais, a Anglo American começou a trabalhar para erguer um cinturão local de prestadores de serviços e fornecedores de insumos. Castellari afirmou que a intenção é promover e organizar a discussão com os poderes públicos municipal e estadual pela criação de um distrito industrial na região de Conceição do Mato, Alvorada de Minas, Dom Joaquim e Serro. “Estamos implantando no Brasil um trabalho de desenvolvimento e fortalecimento de fornecedores à semelhança do que a companhia construiu na África do Sul”, afirmou. De um total de 630 empreendedores que se inscreveram no programa, 270 tornaram-se parceiros da empresa e pretendem, de acordo com a Anglo American, ampliar o fornecimento à companhia.

Texto: Marta Vieira 

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