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Motoristas reclamam de pedágio cobrado por índios entre RO e MT




Texto de Eliete Marques

 Cinco ocorrências de extorsão foram registradas desde o sábado, 13.Índios cobram melhorias em estradas que dão acesso às aldeias.

 Caminhoneiros com destino a Rondônia estão reclamando do pedágio cobrado por índios no Km 511 da BR -174, entre os municípios de Comodoro (MT) e Vilhena (RO). Segundo a 4ª delegacia de Polícia Rodoviária Federal (PRF), cinco ocorrências de extorsão foram registradas desde o começo do bloqueio, no sábado (13).

 Cerca de 200 índios da etnia Nhambiquara bloqueiam o trecho da rodovia para a cobrança de pedágio. Eles cobram melhorias nas estradas de acesso às aldeias, além de instalação de energia elétrica e licença para a plantação de alimentos.

 Os motoristas que precisam passar pelo local dizem que estão sendo extorquidos com a cobrança. É o caso do caminhoneiro Anselmo Zocche, que transporta soja de Campo Novo dos Parecis (MT) para Porto Velho. Ele passa no local uma vez por semana e já perdeu as contas de quantos pedágios pagou para os índios. "Eles param e cobram R$ 50. A gente fica apreensivo, com medo de eles fazerem alguma coisa. Teve um motorista que não pagou e deram flechadas no caminhão dele. Agora é pedir para o patrão reembolsar a gente", explica.

 O caminhoneiro Jeverson Jorge Gomes, leva carros de Goiânia (GO) para a capital de Rondônia. O percurso pela BR-174 é feito duas vezes por mês. Durante o mês de junho, o condutor já pagou pedágio três vezes. "Eles ameaçam quebrar o caminhão, por fogo. Eu trabalho com meu caminhão e tem que sair do meu bolso. Já não ganho bem e ainda tenho que pagar pedágio. Com este dinheiro daria para pagar dois almoços bons", diz.

Cooperativa de transporte

 O presidente da Cooperativa de Transportes de Rondônia (CTR), Jorge Roberto Andrade, conta que há cerca de 500 cooperados, e que 60% desses carregam soja para Porto Velho e utilizam a BR-174. Jorge diz que o órgão já enviou ofícios para diversos órgãos, cobrando uma solução para o problema.

Ainda conforme a CTR, a categoria aguarda uma solução para o bloqueio dos índios. “Precisamos que as autoridades façam alguma coisa, pois uma hora pode dar um incidente grave. Esta semana chegou um caminhão apedrejado, pois o motorista só tinha o dinheiro para comer. Outro motorista teve que pegar dinheiro emprestado, pois colocaram duas flechas na cabeça dele”, enfatiza o presidente da cooperativa.

PRF

 O inspetor da PRF em Vilhena, João Lobato, explica que as ocorrências registradas foram encaminhadas para a delegacia de Pontes e Lacerda (MT), responsável pelo trecho. “Depois são repassadas para o Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF). Muitos motoristas reclamam, mas não registram ocorrências por falta de tempo. Está sendo praticado um crime sobre a rodovia e estamos aguardando resolução de ordem superior para resolver a situação de vez”, conclui.

 Conforme a PRF, no mês passado, foram mais de 30 ocorrências acerca do pedágio cobrado. Os índios suspenderam a cobrança depois que a Fundação Nacional do Índio (Funai) prometeu dar andamento às reivindicações.

 Os indígenas alegam que o acordo não foi cumprido e, por isso, decidiram retomar com o bloqueio e cobrança de pedágio. Eles cobram R$ 25 para liberar a passagem de veículos pequenos e R$ 50 para veículos de grande porte, como caminhões e ônibus.

Acordo

 Na segunda-feira (15), lideranças indígenas se reuniram com representantes da prefeitura de Comodoro. De acordo com a assessoria da prefeitura, um termo de compromisso foi firmado pela prefeita Marlise Marques Moraes e o representante da Associação Manduka Haiyô, Mané Manduka.

 Ficou acordado que a prefeitura vai disponibilizar 120 toneladas de calcário para o cascalhamento, além de fornecer 3 mil quilos de sementes de arroz. No entanto, apesar do acordo, os indígenas voltaram com o bloqueio e alegam que só vão liberar a via após o início da obra.

 Conforme a PRF de Pontes e Lacerda, uma reunião está marcada para acontecer nesta quinta-feira (18), entre os índios e a Funai, acerca do bloqueio e as reivindicações.


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