![]() |
| Divulgação: Scania Brasil |
Profissionais especializados respondem pelo transporte de veículos zero quilômetro entre fábricas, centros logísticos, concessionárias e portos, em uma etapa crítica da indústria automotiva brasileira
Sem os motoristas cegonheiros, a cadeia automotiva brasileira não
funciona. Cabe a esses profissionais assegurar o transporte de veículos zero
quilômetro entre fábricas, centros de distribuição, concessionárias e portos,
fazendo a ligação direta entre a produção industrial e o mercado consumidor,
no Brasil e no exterior, sob o comando das empresas de logística.
Em um setor altamente dependente do transporte rodoviário, essa etapa
logística tem impacto direto sobre prazos de entrega, níveis de estoque,
custos operacionais e previsibilidade comercial. Interrupções ou falhas nesse
elo afetam o planejamento das montadoras, pressionam margens e provocam
efeitos em cascata ao longo de toda a cadeia de distribuição.
Diferentemente das cargas convencionais, o transporte de veículos
demanda uma operação especializada. São necessários equipamentos próprios,
regras específicas de circulação e mão de obra especializada. As combinações
veiculares utilizadas fogem dos padrões tradicionais de altura e comprimento,
exigindo planejamento rigoroso de rotas, avaliação permanente de riscos e
estrito cumprimento da legislação.
Além da condução, o motorista cegonheiro assume responsabilidades
críticas da operação, como o carregamento, a acomodação das unidades nas
carretas e a descarga dos veículos. A atividade requer formação técnica,
prática contínua e elevado nível de atenção, uma vez que falhas podem resultar
em prejuízos significativos para montadoras, concessionárias e operadores
logísticos.
A infraestrutura rodoviária exerce influência direta sobre o desempenho
dessa atividade. Vias em boas condições reduzem o desgaste dos equipamentos,
ampliam a segurança viária e aumentam a previsibilidade das operações. Já em
cenários de infraestrutura precária, trajetos que hoje são realizados em um
dia chegam a demandar dois ou até três, elevando custos, riscos e a exposição
operacional.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade que
representa mais de 5 mil trabalhadores diretos especializados no transporte de
veículos zero quilômetro em todo o país, o motorista cegonheiro é um elemento
estrutural da competitividade da indústria automotiva brasileira.
Na avaliação de José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do
Sinaceg, o papel desse profissional ainda carece de maior reconhecimento fora
do setor. “O transporte de veículos exige qualificação técnica, equipamentos
específicos e alto nível de responsabilidade. Trata-se de uma atividade
essencial para a competitividade da indústria automotiva e para a
eficiência da logística nacional”, afirma.
Segundo Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, a especialização é
determinante para o funcionamento da cadeia. “Sem o motorista cegonheiro, o transporte de veículos simplesmente não
acontece. É ele quem garante que a produção chegue com segurança às
concessionárias e aos portos, assegurando o abastecimento do mercado
interno e das exportações.”
Em meio à retomada da produção automotiva e ao debate sobre
infraestrutura, produtividade e custos logísticos, o trabalho dos motoristas
cegonheiros segue como um elo pouco visível, mas decisivo, entre a indústria e
o consumidor final.
