Fate fecha fábrica na Argentina após 80 anos e demite 900 trabalhadores

Pneu de caminhão
A fabricante tinha um foco em veículos comerciais. Divulgação Fate

Fate encerra fábrica na Argentina e demite 900 trabalhadores


 A FATE, uma das principais fabricantes de pneus da Argentina, anunciou o fechamento de sua fábrica em Buenos Aires após cerca de 80 anos de atividades. A decisão resultará na demissão direta de aproximadamente 900 trabalhadores e marca um novo capítulo na crise da indústria de pneus argentina.






 Segundo a empresa, o encerramento das operações ocorre devido a “mudanças nas condições de mercado”, com destaque para o aumento das importações de pneus, que chegam ao país com preços mais competitivos. A fabricante informou ainda que realizará o pagamento das indenizações conforme previsto na legislação trabalhista argentina.

 O fechamento da fábrica da Fate ocorre em um momento de transformação no setor industrial argentino, marcado pela abertura do mercado a produtos importados e pela crescente concorrência internacional, especialmente de fabricantes asiáticos.

Fechamento da Fate gera protestos de trabalhadores


 O anúncio do fechamento provocou protestos de trabalhadores em frente à unidade industrial. O Sindicato Único dos Trabalhadores de Pneus (Sutna) também se manifestou contra a decisão.

 De acordo com o secretário-geral do sindicato, Alejandro Crespo, a entidade pretende tomar medidas para tentar reverter a situação.

 “Vamos tomar todas as medidas necessárias para reabrir a fábrica. Uma solução é possível”, afirmou o dirigente sindical.

 A paralisação das atividades pode ter impacto direto na cadeia produtiva e no setor de transporte, que historicamente utilizou pneus da marca no mercado argentino.

Fate já enfrentava dificuldades financeiras


 De acordo com o site especializado Dieciocho Ruedas, a Fate já enfrentava dificuldades financeiras há vários anos. A empresa operou durante longos períodos protegida por políticas de restrição às importações, mas ainda assim sofreu com custos elevados, preços pouco competitivos e sucessivas crises trabalhistas.

 Mesmo com investimentos realizados por seu controlador, também proprietário da ALUAR, a companhia não conseguiu recuperar a rentabilidade.

 Analistas do setor apontam que a combinação de altos custos operacionais, forte concorrência de pneus importados, especialmente de origem chinesa, e a perda de competitividade contribuíram para a redução da participação da Fate no mercado.

Concorrência de pneus importados pressiona indústria argentina


 Nos últimos anos, o mercado argentino de pneus passou por mudanças significativas, com aumento da presença de produtos importados a preços mais baixos. Esse cenário ampliou a pressão sobre fabricantes locais, que enfrentam custos industriais mais elevados.

 De acordo com o UOL, estimativas da consultoria privada PxQ, mostrou que entre 2023 e 2025 as importações de pneus aumentaram 34%, enquanto os preços no mercado interno caíram 42%.

 A maior disponibilidade de pneus importados reduziu a competitividade de fabricantes nacionais e acelerou a reestruturação do setor.

 Especialistas avaliam que o futuro da indústria de pneus argentina dependerá da capacidade das empresas locais de reduzir custos, modernizar a produção e competir com fabricantes internacionais.

Impacto do fechamento da fábrica da Fate


 O fechamento da fábrica da Fate representa uma das maiores perdas recentes de empregos no setor industrial argentino e reforça o cenário de transformação da indústria automotiva e de autopeças no país. Na verdade, de acordo com dados sindicais, nos últimos dois anos, 21 mil empresas foram fechadas e causando a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho.

 A continuidade das operações da empresa dependerá de possíveis reestruturações e de mudanças nas condições de mercado, em um ambiente cada vez mais competitivo.

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